QUASE UM CRISTÃO


Por Joel Boa Sorte

Por pouco me persuades a me fazer cristão. Atos 26.28.      
Há muitos que chegam a este mesmo ponto. Desde que a religião cristã está no mundo, há muitos, em todas as épocas e nações, que quase foram persuadidos a se tornarem cristãos. No entanto, vendo que nada vale diante de Deus chegar até este ponto, é muito importante que examinemos:
Antes de tudo, ser um quase cristão implica a honestidade. Eles aprenderam que não devem ser injustos; não devem se apropriar dos bens de seu próximo, seja por furto ou por roubo; não devem oprimir o pobre nem usar de extorsão contra ninguém; não devem trapacear nem enganar o rico ou o pobre, seja quais forem os negócios que tenham com um ou com outro; não devem privar ninguém de seu direito; e, se possível, não devem dever nada a ninguém.
Há também um tipo de amor que eles esperam uns dos outros. Assim, alimentam os famintos, se tiverem comida para compartilhar; vestem os nus com suas próprias vestes que estejam sobrando; e, em geral, dão ao necessitado aquilo que não farão falta para si mesmo. Até este ponto, nos mínimos detalhes, os quase cristãos honestamente chegaram.
Aquele que é quase um cristão não faz nada que o evangelho proíbe. Ele não toma o nome de Deus em vão; abençoa e não amaldiçoa; não jura, mas seu falar é sim, sim, não, não; não apenas evita o adultério, a fornicação e a impureza, mas também toda palavra ou olhar que tenda a isto; se abstém da difamação, da maledicência, do mal falar e de toda conversa e zombaria tola. Rejeitam toda conversação que não é boa para edificação e, conseqüentemente, jamais entristece o Espírito de Deus.
Aquele que é quase um cristão não é dado ao vinho, à festança e à glutonaria; evita, até onde pode, toda discussão e contenda, esforçando-se continuamente para viver em paz com todas as pessoas. E, se sofrer o mal, não se vinga nem paga o mal com o mal; não é ofensivo nem inclinado à briga, nem escarnecedor, nem mesmo nas faltas ou enfermidades de seu próximo. Ele não deseja o mal, não fere nem molesta ninguém, mas, em todas as coisas, fala e age de acordo com a regra: “Aquilo que você não quer que façam com você, não façam aos outros”.
Apesar da labuta ou da dor, tudo o que lhes vem à mão para fazer eles o fazem conforme as suas forças [Ec 9.10]. Ele não é preguiçoso, reprova o ímpio, instrui o ignorante, confirma o vacilante, estimula e conforta o aflito. Ele trabalha para despertar aquele que dorme.
A sinceridade, portanto, está necessariamente implícita em ser quase um cristão. Por sinceridade, aqui, refiro-me a uma intenção real de servir a Deus, um desejo de servi-lo de todo o coração.
Mas aqui provavelmente surgirá a pergunta: “É possível que uma pessoa chegue até este ponto e seja apenas quase um cristão?
É possível se verificar que depois de muitos anos cheguemos a seguinte conclusão:  “Fui diligente em fugir de todo o mal e em ter uma consciência limpa de pecado; remi o tempo; aproveitei todas as oportunidades para fazer o bem a todas as pessoas; esforcei-me para ter um comportamento sóbrio em todos os momentos e lugares. Apesar disso, minha própria consciência me dava testemunho, no Espírito Santo, de que, durante todo esse tempo, eu era apenas quase um cristão”.
A essa altura, muitos podem estar perguntando: Então, o que além do mencionado pode estar implícito em ser verdadeiramente um cristão?
O Amor de Deus. Assim diz a Palavra: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento” [Mt 22.37]. Este amor é tal que ocupa todo o coração, evoca todas as afeições, preenche toda a capacidade da alma e emprega a mais alta medida de todas as suas capacidades. O espírito daquele que desta forma ama o Senhor, seu Deus, se alegra continuamente em Deus, seu Salvador. Seu prazer está na graça do Senhor e todo o seu desejo é para Deus. De fato, o que ele pode desejar além de Deus? Não o mundo ou o que há no mundo, pois o mundo está crucificado para ele, e ele, para o mundo [Gl 6.14].
O Amor ao próximo. “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” [Mt 22.39]. Quem é o meu próximo? [Lc 10.29]. Respondemos: todas as pessoas do mundo. Não podemos deixar de fora nossos inimigos ou os inimigos de Deus. Aquele que quiser compreender mais plenamente que tipo de amor é este pode examinar a descrição que Paulo faz dele. “O amor é paciente, não se ensoberbece, não se exaspera, não se alegra com a injustiça. O amor não se conduz inconvenientemente, ele não procura os seus interesses, mas o bem dos outros, para que sejam salvos. O amor não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta” [1 Co 13. 5-7].
A fé. Coisas excelentes são ditas sobre ela em toda a Palavra de Deus. “A todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que crêem no seu nome” [Jo 1.12]. “Esta é a vitória que vence o mundo, a nossa fé” [1 Jo 5.4]. Sim, nosso Senhor declara: “Quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida” [Jo 5.24]. A fé é uma certa e segura confiança que a pessoa tem em Deus, de que, pelos méritos de Cristo, seus pecados são perdoados e ela é reconciliada ao favor de Deus, da qual flui um coração amoroso para obedecer seus mandamentos.
Se alguém morrer sem esta fé e este amor, melhor teria sido se esta pessoa não tivesse nascido. Despertem, então, vocês que dormem, e recorram a Deus. Não permitam que as pessoas persuadam, por meio de palavras vãs, a parar antes de alcançar sua vocação celestial.
 Lembrem-se de orar sempre e nunca esmorecer [Lc 18.1] até que possam levantar as mãos ao céu e declarar àquele que vive para sempre: “Senhor, tu sabes todas as coisas, tu sabes que eu te amo” [Jo 21.17].
Que todos nós experimentemos o que é ser verdadeiramente um cristão, não somente o que é ser quase um cristão. Que todos sejamos cristãos, justificados gratuitamente pela graça de Deus, por meio da redenção que está em Jesus [Rm 3.24], sabendo que temos paz com Deus por meio de Jesus Cristo [Rm 5.1], alegrando-nos na esperança da glória de Deus [Cl 1.27] e tendo o amor de Deus abundantemente derramado em nossos corações, pelo Espírito Santo que nos foi outorgado [Rm 5.5].
Fonte: Sermões  escolhidos de John Wesley. Literatura Cristã Editora All Print.

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