Esperando contra a esperança


Por Joel Boa Sorte


Tempos atrás, isso por volta de agosto de 2010, a mina de San José no norte do Chile sofreu um desabamento, quando então 33 mineiros ficaram soterrados por 69 dias a quase 700 metros de profundidade. Nos primeiros 17 dias não houve nenhuma comunicação com o mundo exterior. Lá embaixo, em meio a escuridão e incertezas, o clima era tenso e o medo bateu à porta daqueles corações como nunca antes em suas vidas. Eles sobreviveram com duas colheres de atum enlatado, uma colher de leite e meio biscoito, a cada dois dias.

Esse fato, ainda bem recente em nossas memórias leva-nos a lembrar de Romanos 4.18:

“O qual, em esperança, creu contra a esperança que seria feito pai de muitas nações, conforme o que lhe fora dito: assim será a tua descendência.”

O SENHOR havia feito uma promessa majestosa a Abraão, prometendo-lhe que dele levantaria uma grande nação. Todavia, para que esse feito pudesse acontecer seria necessário primeiro que Abraão e Sara gerassem filhos.

À medida que os anos iam passando parecia que Deus tinha esquecido ou mudado de ideia. Sara deve ter pensado: Não, não! Não existem possibilidades para que isso possa acontecer.

Nesse caos, todavia, a esperança prevaleceu. Quando todas as possibilidades foram exauridas e rumores gritaram para que o Pai da Fé abdicasse da esperança, Abraão continuou crendo, se superou e colocou o seu nome na Galeria dos Heróis da fé. (Hebreus 11).

O profeta das lágrimas também creu contra a esperança. Jeremias sabia que a missão era difícil, mas não impossível.

Jeremias via sua nação caminhando para destruição e inclinou a pensar que aquele povo teria atingido o limite da paciência de Deus, assim como fizeram os homens de Sodoma e Gomorra.

Deus fala para que Jeremias cresse contra as evidências naturais, e isto é crer contra a esperança. Jeremias começou a entender mesmo que as promessas e projetos fossem interrompidos por algum tempo, por causa da desobediência do povo de Israel, Deus iria fazer aquele povo sair da frieza e da apatia espiritual.

A esperança nunca abre mão da fidelidade de Deus. Jó mesmo se encontrando numa situação de extrema desventura e dor e mesmo buscando respostas para justificar tal flagelo, permanecia sem entender, porém, nem mesmo assim desistiu da esperança, pois disse: “Ainda que Ele me mate Nele confiarei.” Jó 13.15.

Temos crises por todos os lados. Quem fica insensível ou assombrado está se colocando fora do alcance da solução. Por outro lado, quem aceita crer, esperar e participar entra na fila da vitória. A espera pode até ser longa, mas a justiça de Deus nunca falha.

A boa notícia é que há luz no fundo do túnel. E essa luz está chegando para iluminar o seu caminho! Em todas aquelas dificuldades Abraão, Jeremias e Jó enxergaram a esperança, mesmo crendo contra a esperança.

De igual modo, acontece com cada um de nós individualmente: apesar das instabilidades presentes, há um grande refrigério para todo aquele que ama e teme a Deus.

Deus é o que nos inspira a esperança mesmo onde não há mais esperança.


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