A verdade sobre nossa índole


Por Joel Boa Sorte



         Todos nós possuímos uma estranha, quase contraditória, combinação de pecado e espírito. Observe:

         “Mas eu afirmo: andai pelo Espírito e nunca satisfareis os desejos da carne. Porque a carne luta contra o Espírito, e o Espírito contra a carne. Eles se opõem um ao outro, de modo que não conseguis fazer o que quereis? (Gálatas 5.16-17).

         Há pessoas que possuem o Espírito Santo e são chamadas a obedecer – para serem santas. Mas essas mesmas pessoas, que amam a Deus e querem manifestar seu caráter, também têm, em si mesmas, uma natureza pecaminosa embutida.

         Essa natureza ou tendência é tão profunda que, mesmo que sejamos novas pessoas em Cristo, ela não é totalmente erradicada. Mesmo quando queremos fazer o que é correto, algumas vezes não fazemos. Queremos santidade, lutamos para obtê-la, mas falhamos.

         Ainda possuímos aquela natureza pecaminosa, mas também possuímos o Espírito de Deus para nos conduzir, nos orientar e nos capacitar. Combinação bastante contraditória, não acha?

         Confiamos na graça e não em nosso poder de vencer o pecado. O homem pecador luta para ser santo visando o que Deus gratuitamente nos oferece pela sua graça.

         Reconheça a verdade

         Abandone o perfeccionismo. Elimine a crença prejudicial de que verdadeiros cristãos não farão determinadas coisas. Os cristãos muitas vezes fazem coisas que não deveriam, mas ainda assim são cristãos. Isso não desculpa o pecado. Mas não tenha a expectativa irreal de que você ou outros simplesmente não pecarão. Isso não corresponde às Escrituras.

         Não justifique seu pecado

         Não devemos nunca utilizar nossa inclinação para o pecado para racionalizar o pecado que cometemos. O pecado nos causa danos sérios, toda vez que o cometemos. E, embora saibamos que nunca conseguiremos viver livres do pecado, não vamos usar isso como uma desculpa para deixar que o pecado vá ganhando espaço em nossa vida.

         Não se torture

         Quando acreditamos na mentira do perfeccionismo, qualquer deslize é sinal de que não somos bons cristãos. Somos pervertidos. Não alcançamos o padrão porque temos uma grande falha de caráter. Lembre-se que em Gálatas 5 Paulo reconhece que a natureza pecadora continua conosco, mas que somos habitados, cheios e capacitados pelo Espírito Santo de Deus.

         Deus não exige perfeição, apenas progresso. Em que fase de sua vida cristã aqui na terra você verá a perfeição? Você nunca verá. Mas você deverá ver um progresso geral.

         Pense nos personagens bíblicos. Aqueles que cometeram alguns pecados mais graves. Será que esses pecados fizeram com que sentissem o pior dos seres? Por um curto período de tempo sim, mas eles continuaram com Deus. Fizeram progresso espiritual.

         Não torture os outros

         Lamentavelmente, os cristãos muitas vezes têm a fama de criticar e julgar os outros. Será que nós cristãos não temos coisas mais interessantes para fazer? Será que não temos questões muito mais importantes para abordar que possam causar impacto ao Reino?

         Precisamos nos importar com as grandes coisas, não com as pequenas. Não vamos julgar os outros com fundamentos que não sejam bíblicos. Veja como Jesus nos encoraja em Mateus 7.1-5.

         “Não julgueis, para que não sejais julgados. Porque sereis julgados pelo critério com que julgais e sereis medidos pela medida com que medis. Por que vês o cisco no olho de teu irmão e não reparas na trave que está no teu próprio olho? Ou como    dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o cisco do teu olho, quando tens uma trave no teu? Hipócrita! Tira primeiro a trave do teu olho; e então enxergarás bem para tirar o cisco do olho de teu irmão.

         Muitas vezes, quando pecamos, estendemos a graça para nós mesmos. Estamos cientes de nossas razões, nossas vulnerabilidades, e embora não justifiquemos nosso pecado, também não nos importamos muito com ele. Mas, quando outros pecam, (nosso pastor, nosso cônjuge, nosso amigo ou inimigo) lançamos nossa artilharia. Caímos em cima deles como gafanhotos vorazes numa lavoura.

         Não que ignoremos e desculpemos o pecado, mas vamos evitar dois pesos e duas medidas, isto é, julgar os outros com mais severidade do que nós mesmos. Vamos contribuir para resolver o problema do pecado em vez de aumentar o sentimento de culpa das pessoas.
"Eu sei que você nunca vai me abandonar quando em minhas fraquezas" Kari Jobe

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