Marcas da aflição

Por Joel Boa Sorte


thorns

Há momentos em que buscamos a Deus, mas Ele parece ausente. Momentos em que, em nossa angústia, clamamos por auxílio, mas Ele não atende nossas orações. Pedimos e pedimos alívio, sem, no entanto, recebermos respostas! É como se Deus dissesse: “Não, ainda não é o momento de livrá-lo desse sofrimento”.


Não confunda espinho na carne com uma doença passageira, conflitos de relacionamentos ou uma dívida que temos que desfazer de algum bem valioso para quitar a obrigação. Espinho na carne vai além do trivial, das bobagens que nos perturbam no dia a dia. Ele apresenta como parte profunda, silenciosa, escura, duradoura, incompreensível, aflitiva, cega e muda. É algo que não mata, mas gera um desconforto um tanto assustador.
Paulo quis se libertar do empecilho e até pediu ajuda. Orou três vezes pelo seu mal, mas não teve jeito. Muito se tem especulado a respeito do que seria esse espinho na carne ao qual Paulo se referiu. O mais provável é que se tratasse de uma enfermidade que o afligia constantemente. Mas não se pode afirmar com certeza o quê exatamente incomodava Paulo. As Escrituras não mencionam claramente seu problema, portanto, não cabe a nós entrar no campo das especulações. Certamente era uma situação que o aborrecia e causava aflições.
É interessante notar o paradoxo criado por Deus na vida dos seus servos. O Senhor chama Moisés para libertar Seu povo das garras do Faraó com idade em torno de oitenta anos. Moisés, já velho, se sentia cansado, não estava mais em forma para guerrear. Por que então Deus não o chamou quando tinha quarenta anos? Por que não antes da fuga para o deserto?
José foi preso justamente por agir de acordo com os princípios de Deus. O jovem hebreu rejeitou as investidas de uma mulher adúltera, no entanto nada o impediu que fosse preso.
A lista cresce a cada página da Bíblia e com Paulo não foi diferente. Ele viveu um paradoxo com seu espinho na carne. As Escrituras dizem que Deus fazia maravilhas extraordinárias pelas mãos de Paulo. Ele levava libertação, cura, e paz às pessoas. Mas quando se tratava de sua própria aflição, ele orou a Deus, porém o Senhor não o livrou de seu sofrimento.
Você já enfrentou situações assim? Quando Deus traz pessoas com seus males e dores, precisando de ajuda, justamente no momento em que você tem o seu próprio espinho afligindo-o. Mas, este pode ser o melhor momento para se compadecer com a dor do próximo, quando você tem um espinho na alma, quando há um sofrer que anseia por alívio.
Enquanto desejamos o cessar de nosso sofrimento, Deus faz a sua vontade por meio de nossas vidas para que outros recebam alívio. Isso às vezes causa um nó em nossos pensamentos. De qualquer forma há de se reconhecer que a dor que carregamos nos traz experiências que nos possibilitam ajudar outros em situações difíceis.
Às vezes Deus coloca homens e mulheres para ajudar e aconselhar pessoas que acabaram de descobrir que têm câncer. Enquanto ministram na vida de outros sobre o trabalhar de Deus e Sua vontade soberana, perguntam ao Senhor, com seus corações quebrantados, quando seu próprio filho não terá mais de passar pela quimioterapia. Às vezes, mulheres que estão enfrentando dificuldades em seus casamentos, são usadas para ministrar perdão e aconselhar outras mulheres a não abandonarem seus maridos.
É difícil entender por que Deus nos permite enfrentar tais situações. Perguntamos a Deus por que temos que enfrentar certas provações. 
Espinhos têm o seu propósito. Nossa dificuldade está em aprender a lidar com eles. Podem ter a função de nos manter mais próximos do Senhor e nos aperfeiçoar. Podem ter a função de nos ensinar, de nos manter com os pés no chão e de nos fazer humildes. A história de Paulo conta exatamente como Deus usou seu espinho na carne, para que ele permanecesse humilde. “E, para que não me exaltasse pela excelência das revelações, foi-me dado um espinho na carne, a saber, um mensageiro de satanás para me esbofetear, a fim de não me exaltar. (2 Co 12. 7)”.
Deus jamais iludiu aqueles que o servem. Ele não nos prometeu uma vida de comodidade nesta terra. Na verdade isso nem mesmo faria sentido, afinal, se este é um lar temporário, se esta é uma terra passageira, por que Ele haveria de nos conceder todo conforto aqui? Se o fizesse, não teríamos motivos para desejar o céu.
Não estou falando que não devemos orar para sermos libertos de nossas aflições, o que estou dizendo é que precisamos estar atentos para que Deus abra nossos olhos para que possamos enxergar o que Ele deseja nos mostrar, o que Ele deseja nos ensinar com estas situações.
Foi para que pudéssemos desejar o Reino, desejar a Morada Eterna, que Cristo suportou os espinhos de toda humanidade em sua fronte. Os piores espinhos Jesus guardou para si, e para nós deixou apenas aqueles que serviriam para nos lembrar que a Sua graça nos basta e seu Poder se aperfeiçoa na fraqueza.
Sim, Deus pode permitir que espinhos nos aflijam. Sim, Ele pode permitir o sofrer! Mas apenas quando há um propósito que resultará em algo bom, resultará em algum benefício.



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